Category: Entrevista

Gisele estréia em capa da Vogue Italiana Fevereiro 2018

Gisele estréia em capa da Vogue Italiana Fevereiro 2018

Essa foi primeira vez que Gisele abriu as portas de sua casa em Boston ao fotógrafo da Vogue Italia, que lhe permitiu retratar seu filho Benjamin e também confiou uma série de imagens de seu álbum pessoal. O photoshoot para a revista teve todo o seu ar íntimo e simples o tempo todo, a cara da Gisele, onde ela mesmo escolheu suas roupas e escolheu posar para lentes do fotografo Jamie Hawkesworth sem alguma maquiagem tudo completamente natural.

Longe de sua imagem glamourosa a loira posou em sua cozinha vestindo um conjunto vermelho e um par de chinelos do desenho Looney Tunes. Hawkesworth optou por trabalhar sem luzes artificiais e shoot em filme para preservar a intimidade e a naturalidade do contexto. Nesta mesma edição Gisele concedeu uma breve entrevista para Richard Mason onde ela fala um pouco sobre as principais questões da vida, sobre a importância de continuarmos a preservar o planeta Terra e também um pouco sobre seu começo de carreira. Confira a matéria completa e traduzida abaixo: 

A última vez que vi Gisele Bundchen, ela estava deitada em uma pilha de lixo, olhando por um campo africano seco cheio de sacos de plástico e lixo. Esses olhos azuis, todos vistos. Esse cabelo de conto de fadas. Ela estava anunciando shampoo. Como meu amigo Sibu abaixou-se para pegar a caixa que trazia a imagem dela, ele a segurou na sua mão um momento. “Uau”, disse ele. Mesmo naquele dia escaldante, era difícil não ser cativado por ela.

Eu estava morando em uma tenda no Cabo Oriental da África do Sul, escrevendo Il Respiro della Notte e trabalhando pelo reflorestamento de uma encosta devastada e encontrei uma escola agrícola verde. Era um mundo longe do afluente Oeste, onde a maior parte do lixo que estávamos pegando naquele dia foi gerado. Nunca pensei em encontrar a beleza radiante na garrafa de shampoo e, provavelmente, nossos caminhos não teriam cruzado se a Vogue Itália não nos tivesse marcado um encontro as cegas.

Nos pediram para se encontrar em Boston, na casa de Gisele. Mas Gisele e eu levamos a saúde do planeta a sério. Não pareceu sensato gerar duas toneladas de CO2 – o limite anual que qualquer indivíduo deve gerar se desejamos evitar mudanças climáticas calamitosas – para me levar para conhecê-la em pessoa, então concordamos em falar em vídeo. Eu configurei meu iPad, ouvi o toque familiar e, de repente, ela está lá: a mulher que eu vi em inúmeros outdoors, encarnada em alta definição.

Não estava preparado para a onda imediata de sua energia. Ela é articulada e apaixonada, e não olha sua própria imagem na tela. Ela olha diretamente para a câmera, então nossos olhos se conectam através da grande distância que nos separa. Ela irradia uma qualidade – uma mistura inebriante de sinceridade, proposição e otimismo – que deixa claro por que ela é a supermodelo mais poderosa do mundo: uma mulher cujo endosso não apenas levanta o perfil de uma marca; eleva o preço da ação da empresa. Há, afinal, muitas mulheres bonitas no mundo. Há apenas uma Gisele.

Nós entramos nas principais questões da vida. Gisele vem meditando desde o início dos 20 anos. “Eu estudei todas as diferentes formas de religião. Budismo, Taoísmo, Cabalá. Estou sempre à procura de tentar descobrir – Quem sou eu? Por que estou aqui?” Pergunto-lhe se, aos 37 anos, ela tem algumas conclusões preliminares para compartilhar. “Eu acredito que somos seres espirituais com uma experiência humana. Eu acredito que a Terra é uma bela escola para nós”. 

Mas ela, como eu, está preocupada com a forma como estamos tratando a nossa escola. “Qualquer ser vivo que perca um terço de sua pele, mesmo que seja apressado para cuidados intensivos, entrará em uma febre alta e pode morrer. A Terra perdeu mais de um terço da sua pele, que são as árvores e toda a biodiversidade que existem ao seu redor, e em vez de fazer o nosso melhor para nutrir e reabastecer a Terra, continuamos a saqueá-la”.

Concordo. Às vezes me sinto paralisado pelo abandono louco com o qual nossa civilização está consumindo os recursos finitos do mundo. Mas Gisele eleva meu espírito. “Eu sou uma otimista e acredito que podemos mudar.” Como? “Esteja atento ao que consumimos. Como é feito? De onde isso vem? Qual é o impacto dos produtos que compramos em nossa saúde e na Terra?” Ela acredita que podemos ser a mudança que o planeta precisa. “Coma sazonalmente e compre com seus agricultores orgânicos locais. Não crie viagens desnecessárias para a nossa comida. Obter um filtro de água. Reduza o desperdício de alimentos – compre apenas o que você precisa e coma os restos. Gaste mais tempo na Natureza – porque se nos reconectarmos com isso, entenderemos a importância vital de preservá-la para nossas vidas”. 

De repente, isso parece gerenciável. Algo que qualquer um de nós poderia fazer. E se todos nós o fizermos, os milagres tornam-se possíveis.

“Sinto muito, como você, a pressão para tornar o mundo um lugar melhor porque eu posso”, diz ela. “Cada um de nós é um ser especial e único com um presente especial que só podemos dar”.

O que é dela?

“Sou capaz de comunicar as coisas, e espero trazer mais consciência. Quando perdemos a conexão com a Terra, perdemos a conexão com nós mesmos “.

Isso soa como falar padrão de uma  supermodelo, mas Gisele vive. Dez anos atrás, com seu pai, ela financiou e completou um projeto-piloto em sua cidade natal no Brasil para limpar as fontes de água da cidade de Horizontina, onde ela nasceu. No processo foram plantadas mais de 40 mil árvores. Agora ela está trabalhando para escalar esse primeiro sucesso em um projeto maciço – a limpeza do rio Jacuí, um dos mais importantes em seu estado natal. O primeiro projeto custou R $ 1 milhão, e ela pagou por ela mesma. O segundo impactará mais de 3 milhões de pessoas – ela não pode pagar por tudo isso, mas ela pode juntar as pessoas certas. “Nós, as pessoas, temos que agir se quisermos criar um mundo diferente. Não podemos sentar aqui esperando um governo para fazê-lo. A maioria das guerras no mundo ocorre porque os recursos naturais são escassos. Se não abordarmos essas questões, embora possamos ter uma chance, eles vão ficar muito pior”. 

Estou intrigado em saber de onde esse sentido de propósito vem e como ela o sustenta. E também, claro, como uma menina de uma pequena cidade no Brasil acabou como uma das pessoas mais famosas do planeta.

O que aconteceu foi isso. Sua mãe, com seis filhas, estava preocupada de que Gisele – já com 5’10 (mais ou menos 1,78 metros) aos 13 anos,” um pé mais alto do que todas as pessoas da minha classe “– estava caminhando com as costas encurraladas. “Ela disse:” Não, você não pode andar assim. Você tem que estar em linha reta.” Então, Gisele e suas irmãs participaram de um curso de modelagem em sua cidade natal, para ensiná-las a andar com confiança. Foram necessários 27 horas em um ônibus para chegar à final em São Paulo. Em breve Gisele estava participando do Elite Model Look concurso – uma viagem de ônibus de 27 horas de distância. Ela ficou em segundo lugar. Pergunto-lhe o que aconteceu com a vencedora. “Não tenho certeza. Não a vi. O nome dela é Claudia. Ela é muito boa.”

Gisele é generosa sobre todos os que surgem – sobre Claudia, sua rival inicial; sobre cada uma de suas cinco irmãs, quatro das quais trabalham com ela. Aquela que não é uma juíza federal. Com 14 anos, ela saiu de casa sozinha e foi a São Paulo; depois para o Japão. Pergunto-lhe se alguém cuidou dela. Será que as agências de modelos enviaram pessoas para ficarem de olho nela?

Aparentemente não. E, no entanto, ela não se sentia sozinha. “Eu sempre tive meus anjos da guarda comigo.” Seus anjos e alguns pareceres dos pais: “Minha mãe sempre disse ‘Não tire nada dos estranhos’. Os valores que aprendi com meus pais me mantiveram segura.” Seu maior desafio, que derrete meu coração, era um medo do escuro.

“Era difícil estar sem minhas irmãs. Eu dormi em um quarto com todos elas em volta em minha casa. Quando eu acordei, se eu me assustasse, eu poderia ir e pular em uma das camas de minhas irmãs. Eu não podia fazer isso com estranhos que acabei de conhecer, que mudaram o tempo todo porque estava morando no apartamento de modelos.”

A história que ela conta tem a qualidade de uma lenda: uma princesa guerreira que se desloca para o mundo, em busca de mudança, com seus anjos da guarda para protegê-la.

Não estou preparado para amar Gisele, mas sim. Enquanto falamos, ela me faz sentir que é possível ser um ser humano melhor e um melhor custodiante dos recursos do nosso planeta. Quando nos despedimos, me encontro na Cidade do Cabo atingida pela seca, feliz e cheia de vida, suas palavras tocando nos meus ouvidos: “Deus é uma energia, e essa energia é amor. A estação de rádio está aí. Depende de você se quiser sintonizar. “

Tradução & Adaptação: Gisele Brasil

Gisele Bündchen confessa: ‘Ganho bem, mas não é tudo isso que falam’

Gisele Bündchen confessa: ‘Ganho bem, mas não é tudo isso que falam’

Esta entrevista foi concedida à Contigo! em outubro 2016, pouco antes de Gisele brilhar no desfile da Colcci. Leia:

Há quase 20 anos atrás, Gisele saiu de Horizontina para ganhar o mundo. “Tenho o mesmo dia a dia de qualquer mulher”, diz.

Sorrindo, abraçados, trocando beijinhos de tempos em tempos, Gisele Bündchen, 33 anos, e Tom Brady, 36, recebiam um grupo de amigos na sala de videoconferência do Hotel Emiliano, nos Jardins, em São Paulo. Era tarde da quarta-feira (2) e faltavam três horas para o casal estrelar o desfile da Colcci, um dos mais aguardados da São Paulo Fashion Week. Coube à modelo os holofotes na passarela, ao jogador de futebol americano as atenções na plateia, e à dona Vânia, 65, mãe de Gisele, curtir Benjamin, 4, Vivian, 1, filhos deles que ficaram no hotel durante o espetáculo. “Viemos passar alguns dias a trabalho, mas o clima é de uma festa de família! Ficamos todos em três quartos, um ao lado do outro, com as portas abertas, meus filhos e sobrinhos brincando no corredor. Uma delícia!”, disse Gisele, descalça, com as pernas cruzadas sobre o sofá do hotel, exibindo sua lindeza despojada em um macacão solto, poucas camadas de rímel e um batom cor de boca.

Com uma fala rápida e forte sotaque gaúcho, ela abordou as delícias da vida em família, o susto de um incêndio que acometeu dias atrás seu apartamento em Boston, nos Estados Unidos, além da conquista de suas verdadeiras riquezas. Tudo isso numa conversa regada a água de coco.

Como é vir ao Brasil a trabalho?
Agarro qualquer oportunidade para voltar a meu país. Não há lugar no mundo em que me sinta melhor do que no Brasil. É a minha terra, onde cresci e sinto uma energia diferente em todos os sentidos. Moro nos Estados Unidos há muitos anos. Gosto de lá, mas é muito diferente da forma com que fui criada e dos meus costumes. Não sei explicar, mas, quando chego aqui, é um alívio, consigo relaxar mais. Por mais que eu goste de lá e viva lá, o Brasil é a minha casa.

E por que não volta? Há planos?
Sou casada com um americano e não é uma decisão que eu possa tomar sozinha. Em nenhum relacionamento a gente chega e impõe algo. Conheci o Tom nos Estados Unidos, ele trabalha lá. Graças a Deus, minha profissão me dá oportunidade de viajar, de voltar ao Brasil e trabalhar em lugares distintos. Aliás, completo 20 anos de carreira em janeiro. Nesse mês, aos 14 anos, deixei minha cidade (Horizontina/RS) para morar em São Paulo e começar a trabalhar como modelo. Vou comemorar muito! Mas ainda não posso dizer como, porque está em definição.

Quando começou a carreira, aos 14 anos, sonhava em se tornar uma das modelos mais influentes do mundo?
Nunca imaginei tantas conquistas. O meu objetivo sempre foi e continua sendo dar o meu melhor.

Qual considera sua maior conquista?
Não tem só uma… Saí de Horizontina nova e tinha uma visão assim (coloca as mãos ao lado do rosto, tirando a sua visão periférica). Trabalhar ampliou minha realidade, de como o ser humano evolui… Viajei o mundo inteiro, conheci pessoas diferentes… Imagine: não acabei nem o 2º Grau e hoje falo cinco línguas! Por isso, sou grata a todas as oportunidades que tive, aos desafios que consegui superar.
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Jornalista pergunta a Gisele qual a chave de seu sucesso e recebe resposta arrasadora

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Ela encantou o Brasil e o mundo com seu “desfile” no Maracanã, durante a cerimônia de abertura da Olimpíada. Inclusive, naquela ocasião parece ter acertado, mesmo errando, não é mesmo? E, ainda por cima, é dona de personalidade única.

Gisele Bündchen, de fato, merece ser estudada. Prova disso é a resposta que a gaúcha deu em uma recente entrevista à emissora americana “CBS”.

Ao ser questionada se seu sucesso seria decorrente de sua “aparência”, Gisele sequer deixa o entrevistador encerrar sua pergunta. Logo em seguida a modelo atribui a sua personalidade a responsabilidade por ser o ícone que é.

Em outro trecho da conversa, Gisele exemplifica como se dedica 100% a exatamente tudo o que se propõe a fazer: “Se vou limpar meu apartamento, você depois poderá comer no chão”. Confira:

Fonte: Extra