Category: Entrevista

Confira os scans e a tradução da entrevista exclusiva da Gisele para a People

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Gisele Bündchen: Minha Jornada Para Fora da Escuridão

A supermodelo abre-se sobre a batalha contra os ataques de pânico e pensamentos suicidas – e é franca sobre sua imaginária vida perfeita com Tom Brady

Ela é uma das supermodelos mais bem paga do mundo, casada com um dos atletas mais bem pagos. Ela pode amamentar com uma mão enquanto se prepara para uma sessão de fotos de lingerie, ela medita todos os dias às 5 da manhã, e sua família é tão consciente da saúde que seus filhos nem querem doces de Halloween. Mas Gisele Bündchen está pronta para destruir a percepção de que sua vida é tão perfeita quanto parece.

Em um novo livro de memórias, Aprendizados: Minha Caminhada Para Uma Vida Com Mais Significado (com data de lançamento para dia 29 de outubro), Bündche revela que uma vez lutou contra ataques de pânico e pensamentos suicidas. Ela também admite que fez cirurgias plásticas que se arrependeu, e que acha a maternidade muito estressante – e sim, que ela e o marido Tom Brady brigam como casal.

“As coisas podem parecer perfeitas do lado de fora, mas você não tem ideia do que realmente está acontecendo”, diz ela, bebericando um pouco de chá no escritório de sua casa em Brookline, Massachussetts, que ela divide com o quaterback de 41 anos do New England Patritos, e seus filhos Benjamin (8), Vivian (5) e Jack (11), que é filho de Tom Brady com a atriz Bridget Moynahan. “Eu senti que talvez fosse hora de compartilhar algumas das minhas vulnerabilidades, e isso me fez perceber, tudo o que eu passei, eu nunca mudaria, porque eu acho que sou quem eu sou por causa dessas experiências.”

Uma das seis meninas criadas em Horizontina, no Brasil, por Valdir, um professor, e Vania, uma bancária, Bündchen, uma criança gêmea e do meio, diz que passou a infância se sentindo “não muito especial” – até ser descoberta por um agente de modelos em um shopping em São Paulo aos 14 anos.

Depois de um começo difícil na indústria (“Eles me disseram: ‘Seu nariz é muito grande e seus olhos são muito pequenos e você nunca vai estar na capa de uma revista’”, lembra ela), Bündchen a conquistou estreia em 1997, quando andou de topless no desfile da Alexander McQueen e apareceu na capa da Vogue no ano seguinte como o exemplo do “retorno da curva”. Creditada com a introdução de um visual sexy e atlético que substituiu a heroína chique dos anos 90, Bündchen tornou-se conhecida na indústria da moda como “os peitos do Brasil”. Em 2000, ela conseguiu um contrato recorde de 25 milhões de dólares com a Victoria’s Secret e começou a namorar Leonardo DiCaprio, fazendo dela uma referência nos tablóides.

Mas Bündchen – que agora é casado com o quarterback Tom Brady – diz que sua vida na pista rápida veio com uma sensação esmagadora de ansiedade.

Depois de ter seu primeiro ataque de pânico durante um vôo instável em um pequeno avião em 2003, ela desenvolveu um medo de túneis, elevadores e outros espaços fechados. “Eu tinha uma posição maravilhosa na minha carreira, eu estava muito perto da minha família e sempre me considerei uma pessoa positiva, então eu estava realmente me batendo. Tipo, ‘Por que eu deveria estar sentindo isso?’ Eu senti que não era permitido me sentir mal “, diz ela. “Mas me senti impotente. Seu mundo se torna cada vez menor e você não consegue respirar, o que é o pior sentimento que já tive. ”

Quando os ataques de pânico começaram a emboscá-la, mesmo em sua própria casa, Bündchen diz que ela pensou em suicídio.

“Eu realmente tive a sensação de, ‘Se eu simplesmente pular da minha varanda, isso vai acabar, e eu nunca tenho que me preocupar com esse sentimento do meu mundo se aproximando’”.

Depois de ver um especialista, que prescreveu Xanax, ela decidiu que não queria depender de medicação. “O pensamento de ser dependente de algo parecia, na minha opinião, ainda pior, porque eu pensava: ‘E se eu perder essa [pílula]? Então o quê? Eu vou morrer? ”A única coisa que eu sabia era que precisava de ajuda.

Com o conselho dos médicos, Bündchen começou uma revisão total do estilo de vida.

“Eu fumava cigarros, bebia uma garrafa de vinho e três mocha frappucinos por dia e desistia de tudo em um dia”, ela disse. “Eu pensei, se essa coisa é de alguma forma a causa dessa dor na minha vida, tem que ir.” Ela cortou o açúcar, começou a praticar ioga e meditação para combater o estresse e decidiu que era hora de repensar seus relacionamentos também. Percebendo que estava “sozinha” na busca por sua alma, ela rompeu com DiCaprio em 2005. Olhando para trás, ela não tem ressentimentos.

“Todo mundo que cruza nosso caminho é um professor, eles entram em nossas vidas para nos mostrar algo sobre nós mesmos”, diz ela. “E eu acho que é o que ele era. O que é bom versus ruim? Eu o honro pelo que ele era.”

Bündchen encontrou seu parceiro um ano depois quando foi apresentada à Tom Brady por um amigo em comum. Mas em 2007, com apenas dois meses de namoro, eles descobriram que a ex-namorada de Tom, Bridget Moynahan, estava grávida dele. “Não era a situação ideal para ninguém. Você sempre pensa: ‘vou casar, e aí terei meus filhos e minha família’, e aquela situação foi uma surpresa para todos nós”, diz ela. “Não há manual para te preparar para algo assim.”

Após o nascimento de Jack, “ele abriu meu coração de formas que eu não sabia que meu coração poderia expandir. Eu me apaixonei por ele e não conseguia imaginar minha vida sem ele. Chamo-o de meu filho bônus.”

Apesar das tensões relatadas sobre as duas mulheres no começo, Bündchen diz que agora elas se dão bem (Brady compartilha a guarda de Jack, que divide o tempo entre a casa dos pais). “Sou muito grata por ela”, diz Gisele. “Sei que foi difícil, mas isso me permitiu crescer. E na verdade, acelerou o processo para que Tom e eu quiséssemos nos casar e começar uma família. Queríamos que Jack tivesse um irmão ou uma irmã.”

Após se casar com Brady em 2009, Bündchen deu à luz ao filho Benjamin no mesmo ano, e à filha Vivian três anos depois. Ela diz que a maternidade foi uma adaptação mais difícil do que parecem pelas fotos invejáveis de seu Instagram. “Quando me tornei mãe, eu meio que me perdi. Foi como se uma parte de mim tivesse morrido”, ela disse. “Eu era essa pessoa muito independente. Tudo era sobre mim. Mas agora que eu tinha esse pequeno ser, de repente senti que não poderia fazer outras coisas, e foi muito difícil para mim. Tudo que sempre quis foi ser mão, mas quando você realmente está vivendo isso, é um choque.”

Embora ela tenha reduzido seus trabalhos para ficar mais tempo em casa (ela havia mudado-se de Nova York para Boston, onde Brady joga), “eu tinha essa terrível, auto-imposta culpa. Pensava que era uma mãe terrível por estar deixando meus filhos por um dia”, ela diz. Quando levava os filhos para o trabalho, “sentia aquela culpta também. Tipo, ‘aqui estamos no avião, e o bebê está chorando'”.

Assumindo a maior parte dos cuidados dos filhos (com ajuda de uma babá) quando Brady estava treinando – frequentemente de 6 da manhã às 6 da tarde – “você está sobrecarregado e cansado e não é o melhor parceiro”, ela admite. Bündchen diz que ela e o marido tiveram desentendimentos (ela o encorajou a aposentar-se nos últimos anos, em parte por conta de sua saúde a longo prazo) e ultrapassaram obstáculos (como o escândalo em 2015, quando Brady foi suspenso enquanto o NFL investigava alegações de que havia trapaceado ao jogar com bolas de futebol superinfladas).

“Quando alguém que você ama está feliz, te faz feliz, ou quando ele está triste, você fica triste”, ela diz. “Você sofre com ele e se alegra com ele”. Juntos, eles aprenderam a enfrentar as tensões. Bündchen lembra-se de um momento difícil quando ela e Brady estavam em países diferentes, e ele enviou um e-mail que a machucou. Ao invés de responder gentilmente, ela pôs sua fúria no papel e decidiu queimar as páginas. “Então falei para ele que estava pronta para falar quando ele estivesse preparado para retomar a conversa de forma amável e respeitosa”, ela lembra.

Eles se reconstruíram daquele momento, e ela diz: “Tom leu meu livro, mas nem perguntou sobre o que tinha naquela carta [que queimei]!”

Outro estresse que veio com a maternidade: amamentar cada um de seus filhos por mais de um ano deixou seus seios menores e de tamanhos um pouco diferentes, mudanças que afetaram sua auto-estima. “Sempre fui elogiada pelo meu corpo, e sentia que as pessoas tinham expectativas de mim que eu não podia suprir”, ela diz. “Me senti muito vulnerável, porque posso malhar, comer saudável, mas não posso mudar o fato de que meus dois filhos gostaram mais do seio esquerdo do que o direito. Tudo que queria é que eles fossem iguais, e que as pessoas parassem de comentar sobre isso.”

Em 2015, ela discretamente fez cirugia para aumento de seios – uma decisão da qual ela rapidamente se arrependeu. “Quando acordei, fiquei tipo: ‘o que eu fiz?’. Senti que estava em um corpo que não reconhecia. Durante o primeiro ano, usei roupas largas porque me sentia desconfortável.”

Brady foi sua fonte de apoio. “Ele apenas disse: ‘Eu te amo independentemente de qualquer coisa’, e disse que eu estava linda. Essa definitivamente foi outra lição: o que não te mata, fortalece. Mas gostaria que tivesse aprendido de outra forma.”

Desde que se “aposentou” das passarelas nas Olímpiadas no Rio 2016, ela tem selecionado trabalhos, focado em causas do meio-ambiente como iniciativas de limpeza d’água e preservação de floresta tropicasl e criando os filhos. “Eles estão realmente crescendo para ser os lindos anjinhos que são, e me sinto mais como sua guardiã”, ela diz.

E refletindo nos momentos escuros de sua vida ao juntá-los para suas memórias, Bündchen diz que foi um processo “de cura”. “Há muitas coisas que você passa na vida que você prefere não lembrar porque são muito dolorosas, mas sabendo o que sei agora, eu percebi que quando há aceitação, não há dor. Há liberdade”.

Veja os scans da revista:

Gisele estréia em capa da Vogue Italiana Fevereiro 2018

Gisele estréia em capa da Vogue Italiana Fevereiro 2018

Essa foi primeira vez que Gisele abriu as portas de sua casa em Boston ao fotógrafo da Vogue Italia, que lhe permitiu retratar seu filho Benjamin e também confiou uma série de imagens de seu álbum pessoal. O photoshoot para a revista teve todo o seu ar íntimo e simples o tempo todo, a cara da Gisele, onde ela mesmo escolheu suas roupas e escolheu posar para lentes do fotografo Jamie Hawkesworth sem alguma maquiagem tudo completamente natural.

Longe de sua imagem glamourosa a loira posou em sua cozinha vestindo um conjunto vermelho e um par de chinelos do desenho Looney Tunes. Hawkesworth optou por trabalhar sem luzes artificiais e shoot em filme para preservar a intimidade e a naturalidade do contexto. Nesta mesma edição Gisele concedeu uma breve entrevista para Richard Mason onde ela fala um pouco sobre as principais questões da vida, sobre a importância de continuarmos a preservar o planeta Terra e também um pouco sobre seu começo de carreira. Confira a matéria completa e traduzida abaixo: 

A última vez que vi Gisele Bundchen, ela estava deitada em uma pilha de lixo, olhando por um campo africano seco cheio de sacos de plástico e lixo. Esses olhos azuis, todos vistos. Esse cabelo de conto de fadas. Ela estava anunciando shampoo. Como meu amigo Sibu abaixou-se para pegar a caixa que trazia a imagem dela, ele a segurou na sua mão um momento. “Uau”, disse ele. Mesmo naquele dia escaldante, era difícil não ser cativado por ela.

Eu estava morando em uma tenda no Cabo Oriental da África do Sul, escrevendo Il Respiro della Notte e trabalhando pelo reflorestamento de uma encosta devastada e encontrei uma escola agrícola verde. Era um mundo longe do afluente Oeste, onde a maior parte do lixo que estávamos pegando naquele dia foi gerado. Nunca pensei em encontrar a beleza radiante na garrafa de shampoo e, provavelmente, nossos caminhos não teriam cruzado se a Vogue Itália não nos tivesse marcado um encontro as cegas.

Nos pediram para se encontrar em Boston, na casa de Gisele. Mas Gisele e eu levamos a saúde do planeta a sério. Não pareceu sensato gerar duas toneladas de CO2 – o limite anual que qualquer indivíduo deve gerar se desejamos evitar mudanças climáticas calamitosas – para me levar para conhecê-la em pessoa, então concordamos em falar em vídeo. Eu configurei meu iPad, ouvi o toque familiar e, de repente, ela está lá: a mulher que eu vi em inúmeros outdoors, encarnada em alta definição.

Não estava preparado para a onda imediata de sua energia. Ela é articulada e apaixonada, e não olha sua própria imagem na tela. Ela olha diretamente para a câmera, então nossos olhos se conectam através da grande distância que nos separa. Ela irradia uma qualidade – uma mistura inebriante de sinceridade, proposição e otimismo – que deixa claro por que ela é a supermodelo mais poderosa do mundo: uma mulher cujo endosso não apenas levanta o perfil de uma marca; eleva o preço da ação da empresa. Há, afinal, muitas mulheres bonitas no mundo. Há apenas uma Gisele.

Nós entramos nas principais questões da vida. Gisele vem meditando desde o início dos 20 anos. “Eu estudei todas as diferentes formas de religião. Budismo, Taoísmo, Cabalá. Estou sempre à procura de tentar descobrir – Quem sou eu? Por que estou aqui?” Pergunto-lhe se, aos 37 anos, ela tem algumas conclusões preliminares para compartilhar. “Eu acredito que somos seres espirituais com uma experiência humana. Eu acredito que a Terra é uma bela escola para nós”. 

Mas ela, como eu, está preocupada com a forma como estamos tratando a nossa escola. “Qualquer ser vivo que perca um terço de sua pele, mesmo que seja apressado para cuidados intensivos, entrará em uma febre alta e pode morrer. A Terra perdeu mais de um terço da sua pele, que são as árvores e toda a biodiversidade que existem ao seu redor, e em vez de fazer o nosso melhor para nutrir e reabastecer a Terra, continuamos a saqueá-la”.

Concordo. Às vezes me sinto paralisado pelo abandono louco com o qual nossa civilização está consumindo os recursos finitos do mundo. Mas Gisele eleva meu espírito. “Eu sou uma otimista e acredito que podemos mudar.” Como? “Esteja atento ao que consumimos. Como é feito? De onde isso vem? Qual é o impacto dos produtos que compramos em nossa saúde e na Terra?” Ela acredita que podemos ser a mudança que o planeta precisa. “Coma sazonalmente e compre com seus agricultores orgânicos locais. Não crie viagens desnecessárias para a nossa comida. Obter um filtro de água. Reduza o desperdício de alimentos – compre apenas o que você precisa e coma os restos. Gaste mais tempo na Natureza – porque se nos reconectarmos com isso, entenderemos a importância vital de preservá-la para nossas vidas”. 

De repente, isso parece gerenciável. Algo que qualquer um de nós poderia fazer. E se todos nós o fizermos, os milagres tornam-se possíveis.

“Sinto muito, como você, a pressão para tornar o mundo um lugar melhor porque eu posso”, diz ela. “Cada um de nós é um ser especial e único com um presente especial que só podemos dar”.

O que é dela?

“Sou capaz de comunicar as coisas, e espero trazer mais consciência. Quando perdemos a conexão com a Terra, perdemos a conexão com nós mesmos “.

Isso soa como falar padrão de uma  supermodelo, mas Gisele vive. Dez anos atrás, com seu pai, ela financiou e completou um projeto-piloto em sua cidade natal no Brasil para limpar as fontes de água da cidade de Horizontina, onde ela nasceu. No processo foram plantadas mais de 40 mil árvores. Agora ela está trabalhando para escalar esse primeiro sucesso em um projeto maciço – a limpeza do rio Jacuí, um dos mais importantes em seu estado natal. O primeiro projeto custou R $ 1 milhão, e ela pagou por ela mesma. O segundo impactará mais de 3 milhões de pessoas – ela não pode pagar por tudo isso, mas ela pode juntar as pessoas certas. “Nós, as pessoas, temos que agir se quisermos criar um mundo diferente. Não podemos sentar aqui esperando um governo para fazê-lo. A maioria das guerras no mundo ocorre porque os recursos naturais são escassos. Se não abordarmos essas questões, embora possamos ter uma chance, eles vão ficar muito pior”. 

Estou intrigado em saber de onde esse sentido de propósito vem e como ela o sustenta. E também, claro, como uma menina de uma pequena cidade no Brasil acabou como uma das pessoas mais famosas do planeta.

O que aconteceu foi isso. Sua mãe, com seis filhas, estava preocupada de que Gisele – já com 5’10 (mais ou menos 1,78 metros) aos 13 anos,” um pé mais alto do que todas as pessoas da minha classe “– estava caminhando com as costas encurraladas. “Ela disse:” Não, você não pode andar assim. Você tem que estar em linha reta.” Então, Gisele e suas irmãs participaram de um curso de modelagem em sua cidade natal, para ensiná-las a andar com confiança. Foram necessários 27 horas em um ônibus para chegar à final em São Paulo. Em breve Gisele estava participando do Elite Model Look concurso – uma viagem de ônibus de 27 horas de distância. Ela ficou em segundo lugar. Pergunto-lhe o que aconteceu com a vencedora. “Não tenho certeza. Não a vi. O nome dela é Claudia. Ela é muito boa.”

Gisele é generosa sobre todos os que surgem – sobre Claudia, sua rival inicial; sobre cada uma de suas cinco irmãs, quatro das quais trabalham com ela. Aquela que não é uma juíza federal. Com 14 anos, ela saiu de casa sozinha e foi a São Paulo; depois para o Japão. Pergunto-lhe se alguém cuidou dela. Será que as agências de modelos enviaram pessoas para ficarem de olho nela?

Aparentemente não. E, no entanto, ela não se sentia sozinha. “Eu sempre tive meus anjos da guarda comigo.” Seus anjos e alguns pareceres dos pais: “Minha mãe sempre disse ‘Não tire nada dos estranhos’. Os valores que aprendi com meus pais me mantiveram segura.” Seu maior desafio, que derrete meu coração, era um medo do escuro.

“Era difícil estar sem minhas irmãs. Eu dormi em um quarto com todos elas em volta em minha casa. Quando eu acordei, se eu me assustasse, eu poderia ir e pular em uma das camas de minhas irmãs. Eu não podia fazer isso com estranhos que acabei de conhecer, que mudaram o tempo todo porque estava morando no apartamento de modelos.”

A história que ela conta tem a qualidade de uma lenda: uma princesa guerreira que se desloca para o mundo, em busca de mudança, com seus anjos da guarda para protegê-la.

Não estou preparado para amar Gisele, mas sim. Enquanto falamos, ela me faz sentir que é possível ser um ser humano melhor e um melhor custodiante dos recursos do nosso planeta. Quando nos despedimos, me encontro na Cidade do Cabo atingida pela seca, feliz e cheia de vida, suas palavras tocando nos meus ouvidos: “Deus é uma energia, e essa energia é amor. A estação de rádio está aí. Depende de você se quiser sintonizar. “

Tradução & Adaptação: Gisele Brasil

Gisele Bündchen confessa: ‘Ganho bem, mas não é tudo isso que falam’

Gisele Bündchen confessa: ‘Ganho bem, mas não é tudo isso que falam’

Esta entrevista foi concedida à Contigo! em outubro 2016, pouco antes de Gisele brilhar no desfile da Colcci. Leia:

Há quase 20 anos atrás, Gisele saiu de Horizontina para ganhar o mundo. “Tenho o mesmo dia a dia de qualquer mulher”, diz.

Sorrindo, abraçados, trocando beijinhos de tempos em tempos, Gisele Bündchen, 33 anos, e Tom Brady, 36, recebiam um grupo de amigos na sala de videoconferência do Hotel Emiliano, nos Jardins, em São Paulo. Era tarde da quarta-feira (2) e faltavam três horas para o casal estrelar o desfile da Colcci, um dos mais aguardados da São Paulo Fashion Week. Coube à modelo os holofotes na passarela, ao jogador de futebol americano as atenções na plateia, e à dona Vânia, 65, mãe de Gisele, curtir Benjamin, 4, Vivian, 1, filhos deles que ficaram no hotel durante o espetáculo. “Viemos passar alguns dias a trabalho, mas o clima é de uma festa de família! Ficamos todos em três quartos, um ao lado do outro, com as portas abertas, meus filhos e sobrinhos brincando no corredor. Uma delícia!”, disse Gisele, descalça, com as pernas cruzadas sobre o sofá do hotel, exibindo sua lindeza despojada em um macacão solto, poucas camadas de rímel e um batom cor de boca.

Com uma fala rápida e forte sotaque gaúcho, ela abordou as delícias da vida em família, o susto de um incêndio que acometeu dias atrás seu apartamento em Boston, nos Estados Unidos, além da conquista de suas verdadeiras riquezas. Tudo isso numa conversa regada a água de coco.

Como é vir ao Brasil a trabalho?
Agarro qualquer oportunidade para voltar a meu país. Não há lugar no mundo em que me sinta melhor do que no Brasil. É a minha terra, onde cresci e sinto uma energia diferente em todos os sentidos. Moro nos Estados Unidos há muitos anos. Gosto de lá, mas é muito diferente da forma com que fui criada e dos meus costumes. Não sei explicar, mas, quando chego aqui, é um alívio, consigo relaxar mais. Por mais que eu goste de lá e viva lá, o Brasil é a minha casa.

E por que não volta? Há planos?
Sou casada com um americano e não é uma decisão que eu possa tomar sozinha. Em nenhum relacionamento a gente chega e impõe algo. Conheci o Tom nos Estados Unidos, ele trabalha lá. Graças a Deus, minha profissão me dá oportunidade de viajar, de voltar ao Brasil e trabalhar em lugares distintos. Aliás, completo 20 anos de carreira em janeiro. Nesse mês, aos 14 anos, deixei minha cidade (Horizontina/RS) para morar em São Paulo e começar a trabalhar como modelo. Vou comemorar muito! Mas ainda não posso dizer como, porque está em definição.

Quando começou a carreira, aos 14 anos, sonhava em se tornar uma das modelos mais influentes do mundo?
Nunca imaginei tantas conquistas. O meu objetivo sempre foi e continua sendo dar o meu melhor.

Qual considera sua maior conquista?
Não tem só uma… Saí de Horizontina nova e tinha uma visão assim (coloca as mãos ao lado do rosto, tirando a sua visão periférica). Trabalhar ampliou minha realidade, de como o ser humano evolui… Viajei o mundo inteiro, conheci pessoas diferentes… Imagine: não acabei nem o 2º Grau e hoje falo cinco línguas! Por isso, sou grata a todas as oportunidades que tive, aos desafios que consegui superar.
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Jornalista pergunta a Gisele qual a chave de seu sucesso e recebe resposta arrasadora

Jornalista pergunta a Gisele qual a chave de seu sucesso e recebe resposta arrasadora

Ela encantou o Brasil e o mundo com seu “desfile” no Maracanã, durante a cerimônia de abertura da Olimpíada. Inclusive, naquela ocasião parece ter acertado, mesmo errando, não é mesmo? E, ainda por cima, é dona de personalidade única.

Gisele Bündchen, de fato, merece ser estudada. Prova disso é a resposta que a gaúcha deu em uma recente entrevista à emissora americana “CBS”.

Ao ser questionada se seu sucesso seria decorrente de sua “aparência”, Gisele sequer deixa o entrevistador encerrar sua pergunta. Logo em seguida a modelo atribui a sua personalidade a responsabilidade por ser o ícone que é.

Em outro trecho da conversa, Gisele exemplifica como se dedica 100% a exatamente tudo o que se propõe a fazer: “Se vou limpar meu apartamento, você depois poderá comer no chão”. Confira:

Fonte: Extra